Como os códigos de barras foram inventados

woodland1-jumbo-v2Como empreendedor, você já deve ter descoberto a importância do conhecimento e os códigos de barras fazem parte disso. Pode ser um conhecimento que não se relacione de forma direta a seu produto.

 Quando o assunto é negócios, a informação dificilmente é irrelevante. Costuma acontecer o contrário: destaca-se aquele que tem um pedacinho de informação a mais, nem que seja uma informação que parece pouco buscada pela concorrência. Ela pode ser justamente o seu diferencial.

A implementação de códigos de barras é um assunto recorrente nos últimos tempos. As razões são muitas, sendo a maior delas a otimização de processos.

Você já se perguntou como isso tudo começou? Ou, ainda melhor, quando a importância de adotar códigos de barra em seu negócio adquiriu um valor tão incontestável?

Se a resposta for sim, para uma ou ambas as perguntas, este artigo foi escrito para você.


Muito antes dos leitores de código de barras dos supermercados

Embora hoje seja muito difícil para nós imaginarmos supermercados sem leitores de código de barras, não foi sempre assim. Já na década de 1930, pequenos comerciantes já identificavam a necessidade de ter um controle maior sobre os seus produtos.

 Sem a presença de computadores e seus práticos programas de controle, era preciso fechar a loja e contar cada item restante, ou cada sacola a menos. Havia igualmente uma demanda advinda das fábricas. Processos automatizados eram cada vez mais implementados na produção, mas ainda faltava um gatilho para tornar as coisas mais práticas.

A Primeira ideia de um código de barras

Guarde o nome de um dos heróis de nossa história: Wallace Flint. Em 1932, o estudante da renomada universidade de Harvard escreveu uma tese propondo a criação de um cartão capaz de automatizar compras efetuadas em armazéns.

Segundo a ideia Flint, os clientes de uma loja poderiam simplesmente perfurar um cartão de compras e entregá-lo ao caixa, o que já era uma ideia inicial para implementação de código de barras.

 Esteiras mecânicas identificariam cada item desejado e os trariam até o balcão. O projeto de Flint era impraticável em um país em plena depressão. Seu desenvolvimento seria muito custoso mesmo em outra época, de modo que a grande ideia foi arquivada como um projeto futurista.

A Segunda ideia para os códigos de barrasSalesclerk_of_convenience_store_scanning_bar_code011460653331

Quase 20 anos depois, em 1948, outro estudante deu um grande passo em direção aos códigos de barras como conhecidos hoje em dia.

Nosso segundo protagonista chama-se Norman Joseph Woodland, que também lecionava em Drexter. Woodland ouviu de um amigo um problema proposto ao reitor, que rapidamente recusou a ideia.

Tratava-se de um diretor de uma cadeia do ramo alimentício que desejava uma maneira de automatizar processos na hora de cobrar e receber pagamentos. O reitor pode não ter se interessado pela questão, mas Woodland ficou obcecado por ela.

Com a ajuda do colega que narrara a conversa ouvida entre o reitor e o comerciante, Bernard Silver, os primeiros esforços nesse sentido foram os de criar um sistema que pudesse ser lido sob luzes ultravioleta.

No entanto, problemas como custos de impressão e instabilidade da tinta não tardaram a inviabilizar a ideia. Woodland não se deu por vencido. Ele abandonou as atividades em Drexter, reuniu seus ganhos no mercado de ações e se mudou para um apartamento da família na Flórida. Foi ali que conseguiu desenvolver um sistema que empregava padrões de trilhas sonoras de filmes aliados aos do código Morse.

De volta a Drexter, Woodland foi capaz de patentear suas descobertas, bem como de aprimorar o sistema de leitura dos códigos. Em 1951, quando foi contratado pela IBM, é que os códigos tomaram a forma que preservariam pelos anos seguintes. Ainda em parceria com Silver, Woodland desenvolveu os leitores de código de barra em sua sala de estar, em Nova Iorque.

Os sócios testemunharam com satisfação algumas grandes empresas competindo pela patente do processo, entre elas, a IBM e a Philco, que acabou vendendo a disputa.

Nos anos seguintes, a patente foi vendida pela Philco à RCA. Em 1971 a empresa conseguiu colocar a tecnologia em funcionamento em várias indústrias, mas os reais avanços viriam no segmento de trilhos de trem.

barcode-2Os avanços dos códigos de barra por meio de ferrovias

O próximo capítulo da história tem como personagem central David J. Collins, um especialista formado pela MIT em 1959 e que trabalhava para a Sylvania Corporation. Na época, a empresa estava tentando encontrar uma utilidade militar para os computadores que havia adquirido. Ao mesmo tempo, Collins sabia que o segmento ferroviário precisava de uma maneira de identificar os vagões de forma automática, bem como de processar as informações obtidas.

Por meio da instalação de leitores digitais, aliados a uma tecnologia de códigos de cores, Collins desenvolveu um sistema de cores, usando tons de azul e laranja, para identificar trens e cargas. Naturalmente, ele também conseguiu prever um uso muito mais amplo do sistema, mas a empresa não conseguiu acompanhar a grandiosidade daquela ideia e recusou fundos para pesquisas adicionais.

Apesar da resseção da década de 1970, uma empresa chamada Computer Identics prosperava. Seus sistemas eram baseados em leituras com laser, capazes de decifrar etiquetas ou rótulos danificados. Em 1969, seus executivos instalaram o que podemos considerar os primeiros sistemas bem-sucedidos de códigos de barras. Seus clientes eram a General Motors, cuja finalidade era monitorar a produção e distribuição de automóveis, e a General Trading Company, que empregou a tecnologia para direcionar a remessa de produtos.

O setor que efetivamente impulsionou a adoção do sistema foi o de supermercados, ironicamente aquele que originou os primeiros esboços de códigos de barras, empreendidos por Woodland e Silver. Agora, a otimização de processos era tão considerável que os avanços conquistados pela RCA, além das iniciativas conjuntas de outros setores, moldaram os códigos de barras que se mesclam à paisagem moderna. Poucos são os negócios que ainda não contam com sua implantação.

Na atualidade, há códigos de barras para cada tipo de finalidade ou segmento como os códigos de Barras EAN 13, UPC e DUN 14. Não poderia ser diferente, quando a própria história da tecnologia contou com a ação conjunta dos mais variados mercados, como se identificassem, mesmo que separados, uma necessidade compartilhada pelo coletivo.

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